Crônicas

Dia das Mães

Mãe. Palavra pequena que significa tanta coisa! Abraço, afago, aconchego mesmo no cansaço, presença, cuidado…

Mãe. A matemática de contar feijão! Um a um na palma da mão…

Mãe. Saber a palavra certa ou não ter palavra alguma e mesmo assim, falar com os olhos.

Mãe. Toda mãe tem seus silêncios! E os silêncios continuam a dizer coisas, só que como um sussurro…

Há coisas que não precisam ser ditas com palavras, não é?

Há coisas que chegam assim, num sussurro…

Não dá pra colocar em um único texto tudo o que uma mãe representa pra cada ser vivente!

E é muita coisa! É a dor da vida, é a dor de dente! É o medo do escuro, é o medo de gente! Mesmo diante do improvável e do impossível ela fica contente!

Ela dá força e ela é a própria força!

Mãe!

Queria que essa crônica pudesse capturar por um breve momento o seu abraço, o seu sorriso e a sua proteção!

Queria que cada palavra aqui representasse um pouco da sua sabedoria.

Mas a crônica não é mãe, é crônica! E, como se diz, mãe é mãe!

E não, a crônica não vai dar conta disso!

É muita coisa pra dar conta! Só mãe mesmo!

Por isso, mesmo sem jeito, a crônica deste dia coloca sobre a mesa uma toalha, os talheres, os copos e os pratos.

A comida que chega quentinha, como lembrança gostosa de almoços em família, lembra de novo o cuidado, o cuidado de fazer sempre o melhor.

E vão chegando à mesa os filhos, que já não são crianças, mas retornam ao tempo em que os sonhos tinham um contorno especial.

Na mesa, conversas, risadas, mãos que se ajudam com este ou aquele prato ou uma bebida… O tempo para.

Mãe… obrigado por acreditar nos nossos sonhos!

O menino que escrevia versos já não é mais um menino, mas guarda e guardará pra sempre as contas feitas com feijão na velha mesa de madeira.

O cronista, homem feito, agradece a oportunidade de poder estar presente em mais um dia das mães!

E a crônica termina assim, nessa cena de almoço, tão simples, mas tão certa!

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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